terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Ensaio sobre a dor

Fazendo uma analogia bem menos poética e brilhante do que Saramago em seu "Ensaio sobre a cegueira' hoje resolvi falar sobre a dor.

Segundo a definição do Wikipedia, a "Dor é uma sensação desagradável, que varia desde desconforto leve a excruciante, associada a um processo destrutivo atual ou potencial dos tecidos que se expressa através de uma reação orgânica e/ou emocional."

Quem nunca sentiu a dor do amor? Ou a dor da saudade?
E a dor da alegria? É aquela dor no abdômen e bochechas de tanto rir.
Isso sim é dor boa, gostosa de sentir, que faz bem pra alma.

Tem também a dor da tristeza, do fim de um relacionamento, da morte. Como é duro lidar com elas. Dói tanto que às vezes nem tomamos ciência de tamanha feriada. Às vezes levamos dias, meses, anos para nos recuperar. Às vezes não recupera.

Tudo isso é sentimento que a gente transforma em dor.

Há também a dor de uma topada com o dedão no pé da cama. A dor de um escorregão ou de uma torção jogando futebol. Tem também a dor da cólica (só as mulheres sabem como é) ou aquela enxaqueca cruel. É doído também um cálculo renal, quem já teve sabe que é de virar do avesso. Agora, a dor que eu ainda não tinha tido era a de um siso inflamado. Que dor excruciante!!

Após quatro dias de sofrimento, remédios que não fazem efeito tamanha a inflamação, chorei. Chorei por não aguentar mais sentir dor. Ela é intermitente, só não sinto se estou dormindo, mas não consigo dormir muito porque a dor não deixa. O máximo que consegui dormir sem interrupções foi 3 horas. Sempre me considerei relativamente resistente à dor, para falar que preciso de um médico é que a parada está séria. Tentei resistir por dois dias, acreditando que pudesse melhorar, mas só foi piorando. Cada vez mais rápido passava o efeito do analgésico.

De tudo isso ficou uma lição: quando um médico falar para você fazer um tratamento ou procedimento, faça. Claro, se você se sentir confortável e segura com o que é dito/orientado pelo médico; se negativo procure uma segunda opinião. Porém, no meu caso não havia muitas dúvidas, a radiografia indicava a necessidade de retirar todos os quatros sisos. Retirei dois deles. Os dois restantes eu embassei, cancelei a segunda cirurgia porque sabia que ia ser mais delicado: um deles estava deitado. Mas como não tinha dores, sem inflamação, e deixei levar até 4 dias atrás. Literalmente um dente me derrubou de dor. Engolir saliva, uma atividade básicas do corpo humano, dói e dói muito. Comer? Mal consigo abrir a boca para tomar uma sopa, quiçá mastigar. Falar? Até isso está difícil e justo pra mim que falo tão pouco. Nunca fiquei tão caladinha.

Hoje sentei e chorei! E sem mais saber o que fazer para ajudar e aliviar minha dor, ganhei um abraço carinhoso do meu namorado como se assim pudesse diminuir minha tormenta.

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