domingo, 11 de março de 2012

O futuro das rádios em tempos de mp3

Na última segunda, a caminho do trabalho, ouvindo rádio fui surpreendida pela notícia de que a Mit FM (92,5) tinha cumprido sua missão e sairia do ar. Fiquei triste e quis não acreditar que era verdade, mas era. No dia seguinte, ao ligar o carro para o trabalho, ouvi o nome de uma nova rádio.

Descobri a Mit há poucos meses por indicação de uma amiga que, de forma divertida, disse que só tocava "lançamentos". Claro que era uma brincadeira, a Mit tocava as boas e "velhas" do pop e rock nacional e internacional.

Em tempos em que o mp3, iPods e bandas de uma música só ou de baixa qualidade (ok, depende do referencial e expresso aqui somente a minha opinião) é difícil achar uma boa rádio, com uma programação inteligente e uma seleção musical que não seja "agressiva" aos meus ouvidos.

Atualmente ouço mais as "velhinhas" do que novas. Não porque sou fechada a novos sons e artistas, e sim porque me parece difícil encontrar música de boa qualidade. Vejo as bandas do momento e não consigo imaginar que daqui há 30 anos meus filhos estarão cantando algumas dessas músicas.

Mas o que propósito desse post é para falar do futuro das rádios. Por que as boas rádios estão acabando? Por que faltam recursos para ouvir música de qualidade? Sem dúvidas, estão se reinventando para enfrentar a era da música digital, na qual você monta o seu setlist favorito, conecta o dispositivo móvel ao rádio do carro e play.

É um barato imaginar as caras por detrás daquelas vozes, estar antenada ao horário de um programa interessante, aprender coisas novas. Sem contar que muitas vezes soube de shows e outras atividades culturais na cidade porque ouvi no rádio.

Não entendo de audiência em rádios, mas tenho a impressão que menos pessoas ouvem rádio para apreciar a boa música. Vejo sim muitas pessoas ouvindo rádios de notícias ou sobre o trânsito, numa tentativa desesperada de fugir do caótico trânsito de São Paulo. De fato, o serviço destas é excelente e ajuda mesmo; por diversas vezes me sintonizei a elas para saber o que acontecia no meu caminho que não fluía, mas logo voltava a uma rádio musical.

Em contrapartida, percebo a proliferação de rádios de baixa qualidade musical, porém extremamente populares, de acesso e interesse da grande massa; ou também de rádios religiosas. Nada contra, nem a favor. Mas por que a boa música está perdendo cada vez mais espaço?

O rádio já foi o mais popular dos meios de comunicação. Quando ainda a TV não existia ou era pouco acessível, era no rádio que as pessoas se informavam e se divertiam.

Eu tenho ótimas lembranças do rádio na minha vida. Quando passava as férias na casa dos meus avós, logo cedo meu avô ligava seu rádio sempre conecto à Radio Globo e ouvir Haroldo Costa e tantos outros locutores apresentarem seus programas. Durante o almoço o rádio era novamente ligado e ele ficava lá a ouvir. Depois, ao fim do dia, o mesmo ritual. Cresci ouvindo meu avô ouvir rádio, e eu herdei esse legado.

No ano passado tive a oportunidade de conhecer os locutores de um programa da Rádio Eldorado, Rádio Blog, que passa no horário do rush (se é que em São Paulo ainda existe horário para isso!!). Foi muito legal a experiência de vê-los apresentar o programa ao vivo de uma livraria. Ainda tive meu momento tiete de parabenizá-los pelo excelente programa. Não somente o setlist musical é bacana, como também o debate inteligente sobre problemas do dia-a-dia ou temas polêmicos. A participação interativa do público contribui muito também.

Porém, percebi também que a Eldorado uniu-se a uma outra rádio ao longo de 2011, mudou de frequência e um excelente programa foi para os "arquivos": Sala dos Professores. Apresentado por Daniel Daibem, o programa falava sobre jazz (estilos, músicos, novidades, etc), era uma mistura de "teoria" com prática em apenas 20 minutos. O programa era patrocinado por uma marca de whiskey e mensalmente era apresentado ao vivo num horário mais extenso de uma das mais famosas casas de blues e jazz de São Paulo, o Bourbon Street. E acabou... simples assim!

Sou super antenada, adoro internet, blog e redes sociais, mas tenho um iPod há anos e mal sei atualizá-lo. Nunca o conectei ao rádio do carro. Talvez seja antiquado, mas gosto de dirigir ouvindo rádio, de estar antenada às novidades, músicas e artistas. Tenho um iPad e tenho um aplicativo para ouvir rádios do Brasil e do mundo. Bom demais!

Por fim, não menos importante, curto músical legal. Ainda não comprei nenhuma música digital porque simplesmente prefiro ouvir rádio e depois comprar o CD original, quase um ritual como aqueles que gostam de ouvir um LP na sua vitrolinha. :)

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