domingo, 15 de julho de 2012

Livro, alvará de soltura [Martha Medeiros]

Sou uma apaixonada pela leitura e sempre busco motivar as pessoas no meu entorno para lerem também. Sou eclética na leitura, mas tenho especial interesse pelos romances policiais, tramas de suspense, morte, serial killers. Gosto de ler algo que me tire do dia-a-dia do trabalho, da realidade. Para mim a ficção literária me liberta das agruras do trabalho, dos problemas e intercorrências da vida; é uma forma de fuga, fuga da realidade e entrada para o mundo da fantasia, onde você entra na história, cria os personagens na sua cabeça e a cada página lida uma expectativa sobre o que vai acontecer, sendo pego de surpresa pelos novos fatos.

Nunca me senti forçada a ler pelos meus pais ou pelos meus professores. A leitura sempre foi algo natural. Quando meu afilhado nasceu avisei minha prima que eu seria a madrinha "chata" que só daria presentes educativos, que ajudassem no desenvolvimento do pequeno. Para minha alegria meu afilhado, hoje com 11 anos, adora ler. A primeira vez que lhe dei um livro de presente me surpreendi, após uma semana, ouvir sua reclamação de que o livro era muito pequeno, que já tinha acabado. Oi? Rs... Como é bom ouvir isso de uma criança. No natal passado dei uma série completa, uns 5 livros, que não duraram muito.

Também sou assim, quando pego um bom livro, é como se estivesse com muita fome: simplesmente devoro o livro. Adoro trocar livros com os amigos. Esse ano comecei mal de leitura, li poucos livros e já estamos na metade do ano. Em 2011 bati o meu recorde com 14 livros lidos. A lentidão desse ano foi causada pelo cansaço (geralmente leio na hora de dormir) e também pela dificuldade de achar um livro tão empolgante quanto a Trilogia Millenium, de Stieg Larsson. Sensacional! No momento estou terminando de ler a autobiografia de um famoso esportista e um pequeno livro sobre o budismo.

Ler é libertador e enriquecedor!

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Livro, o alvará de soltura [Martha Medeiros]
Costumo brincar dizendo que, para conseguir ler todos os livros que me enviam, só se eu pegasse uma prisão perpétua. Pois é de estranhar que, habituada a fazer essa conexão entre isolamento e livros, tenha me passado despercebida a matéria que saiu recentemente nos jornais (da qual fui gentilmente alertada por uma leitora) de que os detentos de penitenciárias federais que se dedicarem à leitura de obras literárias, clássicas, científicas ou filosóficas poderão ter suas penas reduzidas. A cada publicação lida, a pena será diminuída em quatro dias, de acordo com a Portaria 276 do Departamento Penitenciário Nacional (Depen). No total, a redução poderá chegar a 48 dias em um ano, com a leitura de até 12 livros. Rara provar que leu mesmo, o detento terá que elaborar uma resenha que será analisada por uma comissão de especialistas em assistência penitenciária. 
A ideia é muito boa, então, por favor, não compliquem. Não exijam resenha (eles lá sabem o que é resenha?) nem nada assim inibidor. Peçam apenas que o sujeito, em poucas linhas, descreva o que sentiu ao ler o livro, se houve identificação com algum personagem, algo bem simples, só para confirmar a leitura. Não ameacem o pobre coitado com palavras difíceis, ou ele preferirá ficar encarcerado para sempre.
Há presos dentro e fora das cadeias. Muito adolescente está preso a maquininhas tecnológicas que facilitam a conexão com os amigos, mas não consigo mesmo. Adultos estão presos às telenovelas e aos reality shows quando poderiam estar investindo o tempo em algo muito mais libertador. Milhares de pessoas acreditam que ler é difícil, ler é chato, ler dá sono, e com isso atrasam seu desenvolvimento, atrofiam suas ideias, dão de comer a seus preconceitos, sem imaginar o quanto a leitura os libertaria dessa vida estreita.
Ler civiliza.
Essa boa notícia sobre atenuação de pena é praticamente uma metáfora. Leitura = liberdade. Não é preciso ser um criminoso para estar preso. O que não falta é gente confinada na ignorância, sem saber como escrever corretamente as palavras, como é viver em outras culturas, como deixar o pensamento voar. Um livro é um passaporte para um universo rico e irrestrito. O livro é a vista panorâmica que o presídio não tem, a viagem ao redor do mundo que o presídio impede. O livro transporta, transcende, tira você de onde você está.
Por receber uma quantidade inquietante de livros, e sem ter onde guardá-los todos, costumo fazer doações para escolas e bibliotecas com frequência. Poucos meses atrás, doei alguns exemplares para um presídio do Rio de Janeiro, e sugiro que todas as pessoas que tenham livros servindo de enfeite em casa façam o mesmo. Que se cumpram as penas, mas que se deixe a imaginação solta.
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