sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Livro: Características singulares do budismo [Venerável Mestre Hsing Yün]

Nesse outro livreto de uma série sobre o budismo, promovido pela BLIA, o mestre Hsing fala sobre as particularidades do budismo e como elas o fundamenta.

A primeira característica é o carma. Há quem diga que o carma é algo que lhe foi dado de forma divina. Porém não é a interpretação correta. Você é o dono do seu próprio carma, você o carrega em decorrência das suas próprias ações (positivas ou negativas) nessa ou das vidas anteriores. Também pode carregá-lo para vidas futuras. A lei de Causa e Efeito é a fundação do carma, ou seja, o bem gera o bem, o mal gera o mal. Não significa que só praticando o bem nessa vida você não encontrará reveses, sofrimentos. Pode ser a manifestação do carma negativo do passado se manifestando na vida presente ou futura.

Outra característica do budismo é a gênese condicionada, que quer dizer que "toda existência (bhava) surge de causas e condições" (pág 21).

"Sem causas e condições adequadas, nenhum fenômeno pode existir. (...) Como exemplo, tomemos um grão de soja, que é a semente, a causa principal. Água, solo, luz solar, ar e fertilizante são as condições secundárias. Caso essas causas e condições se combinem de maneira correta, a semente poderá germinar, florescer e frutificar. (...) Se, no entanto, o grão de soja tivesse sido armazenado em um granário ou plantado em cascalho, ele teria permanecido semente para sempre. Na falta de condições externas necessárias, uma semente não consegue germinar e frutificar." (pág 24)

O sunyata é a terceira característica e significa vazio. O conceito é um tanto complexo, mas tentando explicá-lo precisamos voltar à gênese condicionada. Se a existência, seja ela qual for, surge como resultado de causas e condições apropriadas quer dizer que a existência é ilusória, ou seja, é vazio.

Por fim, os Três Selos do Dharma fundamentam a doutrina budista e novamente usarei uma citação para melhor descrevê-lo:

"Todas as coisas condicionadas (samskaras) são impermanentes. Nenhum dharma (estados condicionados e não-condicionados) tem individualidade substancial. O Nirvana é a paz perfeita." (pág. 44)

Não sou budista, mas acho muito interessante a forma como os budistas encaram a vida, sua filosofia de vida. Me identifico com muitos dos seus preceitos, com a forma como penso. Porém, acima de tudo, precisamos manter sempre nossas mentes abertas para o novo, sem pré-conceitos.
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