sábado, 10 de julho de 2010

Seria a crise dos "inta"?

Tenho amigos, homens e mulheres, que dizem às vésperas dos 30 anos tiveram suas crises existenciais por estar abandonando a era dos 20 anos.

É engraçado que nunca fui das mais encanadas com esse lance de idade, adoro celebrar aniversário. Sou uma arroz de festa, mas....

Começo a analisar a chegada dos 30 anos com alguns questionamentos sobre o que foram os demais 29 anos da minha vida. Sem dúvidas foi uma vida muito bem vivida, de muitas emoções, de altos e baixos, de alegrias e tristezas, alusões e ilusões.

Sinto, porém, que parte dessa minha juventude dos "inte" foi roubada: pela responsabilidade, por ser certinha, por ter que escolher uma profissão tão nova e pensar em uma carreira que vai lhe dar dinheiro para sobreviver e não depender de ninguém. Há tantas decisões e escolhas a fazer, tudo sempre terá o lado bom e o lado ruim, mas para uns pode ser um peso maior que para outros. Sempre fui tão crítica e exigente comigo mesmo.

Nunca tive a ilusão de viver na Terra do Nunca, onde Peter Pan jamais cresceria e seria sempre criança. Acho que cada fase da vida tem coisas muito boas, mas como era bom ser criança....

Os anos passam e sinto que as nossas decepções aumentam na mesma proporção. Talvez porque criamos mais expectativas, talvez por auto-defesa, fruto do sofrimento indesejado, crendo que assim não mais sofreremos desse mal. Ledo engano. Fugir não resolve problema, só os adia.

Há 5 anos atrás sofri um baque que não esperava passar por isso na vida tão cedo. Dali em diante tanta coisa mudou, especialmente no meu comportamento. Me isolei de tudo e de todos. Fechei-me em meu mundo, absorta em meus pensamentos. Há quem critique, há quem não entenda, há quem finge entender.

Meu corpinho já não é mais aquele de outrora, malhado, definido, leve. A calça jeans tamanho 36 nem sonha em entrar, as 38 que eram folgadinhas agora estão mais justas. Dar tchau só igual miss. Tanquinho? Só na lavanderia de casa mesmo.

Isso sem contar na pressão social e familiar sobre casamento e filhos. Eu quero sim. Já vivi tantas paixões, como é bom estar apaixonada. Na adolescência beijei muuuuuuito, na era dos "intes" até os 25 anos curti um bocado também, mas de lá para cá... Relacionamentos falidos. O famoso "quando a esmola é muito o santo desconfia".

Não digo que eu seja um poço de virtudes, mas quando faço apostas, jogo todas as minhas fichas, mas no fim deixo-as na mão do croupier. Será que as pessoas tem prazer em magoar as outras, em não valorizar quando deveria, em ser gentil quando poderia? Pior ainda é quando te fazem acreditar em mentiras, em promessas vãs. Me sinto num Banco Imobilário, quando no final do jogo você vai a falência. Mas, como todo jogo, você pode recomeçar. O segredo é aprender com erros.
Sou só e me sinto só.
Filha única.
Moro sozinha.
Sozinha e solitária.

Ainda assim, mantenho o sorriso no rosto: não um sorriso amarelo, forçado, mas um sorriso alegre de quem ainda quer viver, e muito.

Sou como essas ruínas, um monte de pedacinhos que tento juntar.

Sou como o rio que segue seu curso em busca de um fim.

"Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar." [Clarice Lispector]




+fotos: My Flickr Photostream

tatizanon. Get yours at bighugelabs.com


Postar um comentário